Escrevendo aleatoriamente porque faz tempo que não escrevo. Dando um tempo para vir inspiração. Um tempo para passar a angústia. Um tempo para a poeira abaixar. Para cicatrizar feridas. Dando um tempo ao tempo. A gente sempre espera que o tempo resolva. Mas isso é por pura preguiça mesmo. Tem certas coisas que o tempo só piora. Só aumenta saudades. Saudade dos bons tempos. Saudade da chuva em tempos ruins. Quanto mais o tempo passa, mais diminui nosso tempo de vida. Não sei por que as pessoas comemoram aniversário falando que estão fazendo mais um ano de vida. Já que todos morrem de velhice. O certo seria menos um, né? As vezes, me pergunto se isso não é só perda de tempo. Se tenho todo esse tempo à perder.
Obrigado por perder seu tempo lendo isso.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Um papo com Alice
Entro na lanchonete, e lá está ela me esperando, com as bebidas e a comida que ela escolheu para gente. Ela sempre sabe o que eu estou afim de fazer. Ela sempre sabe o que eu quero.
— Olá, Thiago. Pontual como sempre.
— Oi Alice. Irônica como sempre. Mas é que eu estava escrevendo mais um texto.
— Isso não é desculpa. Sou a única que ler mesmo seus textos.
— Ah também não é assim... há mais algumas pessoas...
— Você pode tentar se enganar, mas a mim, que te conheço perfeitamente, que já li cada palavra do seu blog... a mim, você não engana.
— Você sabe que sou mais do que o blog. Sou também as palavras que não escrevo. O silêncio. As palavras que ficam na minha cabeça.
— As palavras na sua cabeça? (Alice rir)
— Isso mesmo.
— Ai ai, Thiago, cê sabe que é na sua cabeça a minha morada. E aposto o que quiser, que você vai transformar essa nossa conversa numa postagem.
— Por que eu faria isso?
— Porque além de ler seu blog, também leio sua mente. E porque você adora criar essas histórias que não existem.
— Se não existem, por que estamos falando delas?
— Porque eu também não existo, bobo. Sou só uma personagem aqui.
— Não fale isso, Alice. Você é mais do que uma personagem. Assim como meus textos são mais do que histórias inventadas. São os sentimentos que eles transmitem. Isso é real.
— O que existe de sentimento, existe de ilusão. Me diz como você se sente agora?
— Me sinto um idiota falando sozinho...
— Ainda estou aqui, ok? Espero que você me descreva muito bem. Linda, olhos marcantes e claros, cabelos sedosos, lisos, peitos médios, corpo bem distribuído, voz sexy...
— Você sabe que é linda. Mas com olhos pequenos, azuis, brilhantes, com seu cabelo meio liso e meio cacheado nas pontas, adoro seus cachos, seus peitos são pequenos, suas coxas são finas e sua voz é grave demais. Mesmo assim você é linda.
— E sei que a parte que você mais gosta em mim, é a inteligência.
— Sim. Me atrai mais do que sua beleza.
— Inteligência te atraí, né? Deve ser aquele lance dos opostos.
— Engraçadinha.
— Até que você não é tão idiota quanto pensa.
— Concordo. Você está sentindo como se a gente estivesse sendo observados?
— Deve ser porque alguém está lendo nossa conversa.
— Será que alguém ler, Alice?
— Você e essa sua mania de querer interagir com os leitores... Saiba que pelo menos eu leio.
— Como se você tivesse escolha.
— Cansei dessa conversa, agora paga a conta que meu dinheiro é imaginário.
— Ok.
Levanto e pergunto ao garçom:
— Ei, moço, quanto custa ?
Ele responde:
— Pessoas que falam sozinhas não pagam.
Alice cai na gargalha e diz: — Vamos pra casa ver um filme.
Aproveito que é de graça e peço um lanche pra viagem.
— Olá, Thiago. Pontual como sempre.
— Oi Alice. Irônica como sempre. Mas é que eu estava escrevendo mais um texto.
— Isso não é desculpa. Sou a única que ler mesmo seus textos.
— Ah também não é assim... há mais algumas pessoas...
— Você pode tentar se enganar, mas a mim, que te conheço perfeitamente, que já li cada palavra do seu blog... a mim, você não engana.
— Você sabe que sou mais do que o blog. Sou também as palavras que não escrevo. O silêncio. As palavras que ficam na minha cabeça.
— As palavras na sua cabeça? (Alice rir)
— Isso mesmo.
— Ai ai, Thiago, cê sabe que é na sua cabeça a minha morada. E aposto o que quiser, que você vai transformar essa nossa conversa numa postagem.
— Por que eu faria isso?
— Porque além de ler seu blog, também leio sua mente. E porque você adora criar essas histórias que não existem.
— Se não existem, por que estamos falando delas?
— Porque eu também não existo, bobo. Sou só uma personagem aqui.
— Não fale isso, Alice. Você é mais do que uma personagem. Assim como meus textos são mais do que histórias inventadas. São os sentimentos que eles transmitem. Isso é real.
— O que existe de sentimento, existe de ilusão. Me diz como você se sente agora?
— Me sinto um idiota falando sozinho...
— Ainda estou aqui, ok? Espero que você me descreva muito bem. Linda, olhos marcantes e claros, cabelos sedosos, lisos, peitos médios, corpo bem distribuído, voz sexy...
— Você sabe que é linda. Mas com olhos pequenos, azuis, brilhantes, com seu cabelo meio liso e meio cacheado nas pontas, adoro seus cachos, seus peitos são pequenos, suas coxas são finas e sua voz é grave demais. Mesmo assim você é linda.
— E sei que a parte que você mais gosta em mim, é a inteligência.
— Sim. Me atrai mais do que sua beleza.
— Inteligência te atraí, né? Deve ser aquele lance dos opostos.
— Engraçadinha.
— Até que você não é tão idiota quanto pensa.
— Concordo. Você está sentindo como se a gente estivesse sendo observados?
— Deve ser porque alguém está lendo nossa conversa.
— Será que alguém ler, Alice?
— Você e essa sua mania de querer interagir com os leitores... Saiba que pelo menos eu leio.
— Como se você tivesse escolha.
— Cansei dessa conversa, agora paga a conta que meu dinheiro é imaginário.
— Ok.
Levanto e pergunto ao garçom:
— Ei, moço, quanto custa ?
Ele responde:
— Pessoas que falam sozinhas não pagam.
Alice cai na gargalha e diz: — Vamos pra casa ver um filme.
Aproveito que é de graça e peço um lanche pra viagem.
Imagine
Imagine, que ao começar a ler estas palavras, você esteja entrando em uma máquina do tempo. Imagine que sua única bagagem é o que você aprendeu com o passar do tempo. Imagine o tempo voltando. Não é tão difícil imaginar. As palavras têm poderes. Tem esse poder de te fazer viajar. Clichê, mas vai me dizer que você nunca sentiu isso?
Confesso que hoje em dia o "eu te amo" não tem força alguma. E que o "eu não te amo mais" é de fazer o coração explodir. Vai dizer que você nunca sentiu isso?
Tem gente que não sabe brincar com as palavras. E sabemos que elas podem machucar. Consegue sentir isso? Alguém já ralou seu coração?
Imagine-se entrando na máquina, voltando aos tempos de criança. Agora, imagine que isso é possível. Imagine os grandes cientistas contrariados. Dá até pra fechar os olhos e ver perfeitamente. Mas não faça isso, senão fica complicado continuar lendo. Continue imaginando.
Ah que saudade das cabanas de acampamento, que na verdade eram só lençóis. Que saudade das Guerras nas Estrelas, da terceira, quarta e da milésima Guerra Mundial, que na verdade era só soldadinhos de plástico pela casa. Saudade das armas, que na verdade eram pedaços de cano, com uma bexiga amarrada na ponta. Feijões eram munições. Saudade do Sonic, do Mário, e de tantos outros. Das obras de artes, que na verdade eram rabiscos mal feitos. Saudade.
Você consegue sentir isso?
Saudade do Nescau quente, e do meu filme preferido acompanhando numa tarde qualquer. Saudade das velhas coisas. Saudade de descobrir coisas novas, do frio na barriga, do "tenho que ser o mais rápido pra ganhar", que na verdade era só minha mãe correndo atrás de mim, pra me bater. E como minhas costas e bunda ardiam.
Você já sentiu isso?
Saudade dos amigos imaginários. Dos brinquedos que ganhava, da falta de brinquedo, que me fazia improvisar qualquer coisa que não era pra se brincar. Mas que eu transformava em brinquedo, porque minha brincadeira não podia acabar. Saudade da pobre infância, que me fazia ser rico em imaginação.
Confesso que hoje em dia o "eu te amo" não tem força alguma. E que o "eu não te amo mais" é de fazer o coração explodir. Vai dizer que você nunca sentiu isso?
Tem gente que não sabe brincar com as palavras. E sabemos que elas podem machucar. Consegue sentir isso? Alguém já ralou seu coração?
Imagine-se entrando na máquina, voltando aos tempos de criança. Agora, imagine que isso é possível. Imagine os grandes cientistas contrariados. Dá até pra fechar os olhos e ver perfeitamente. Mas não faça isso, senão fica complicado continuar lendo. Continue imaginando.
Ah que saudade das cabanas de acampamento, que na verdade eram só lençóis. Que saudade das Guerras nas Estrelas, da terceira, quarta e da milésima Guerra Mundial, que na verdade era só soldadinhos de plástico pela casa. Saudade das armas, que na verdade eram pedaços de cano, com uma bexiga amarrada na ponta. Feijões eram munições. Saudade do Sonic, do Mário, e de tantos outros. Das obras de artes, que na verdade eram rabiscos mal feitos. Saudade.
Você consegue sentir isso?
Saudade do Nescau quente, e do meu filme preferido acompanhando numa tarde qualquer. Saudade das velhas coisas. Saudade de descobrir coisas novas, do frio na barriga, do "tenho que ser o mais rápido pra ganhar", que na verdade era só minha mãe correndo atrás de mim, pra me bater. E como minhas costas e bunda ardiam.
Você já sentiu isso?
Saudade dos amigos imaginários. Dos brinquedos que ganhava, da falta de brinquedo, que me fazia improvisar qualquer coisa que não era pra se brincar. Mas que eu transformava em brinquedo, porque minha brincadeira não podia acabar. Saudade da pobre infância, que me fazia ser rico em imaginação.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Aparências
É quinta-feira a noite. Estou num bar com um amigo.
Parece que não estou sozinho, mas só parece.
Ele é um bêbado profissional. Bebe muito mais rápido que eu. Não espera meu copo esvaziar, e já vai enchendo.
Parece generosidade. Parece cavalheirismo.
Mas é só para aproveitar e encher o copo dele que está completamente vazio.
Parece garçom.
Ele me pergunta como anda minha vida. Pergunta com o que ando trabalhando. Pergunta como é a garota com quem estou saindo.
Parece curiosidade.
Mas sei que ele não está prestando atenção nas respostas. Só está esperando sua vez de falar. Sei porquê, enquanto digo que estou desempregado. Ele finge escutar. Enquanto digo que me decepcionei com a garota, com quem estava saindo. Ele toma mais um enorme gole de cerveja. Enquanto digo sobre as decepções da vida. Ele despreocupadamente, acende um cigarro. Ele finge.
Parece atencioso.
Mas nada ali é o que parece. Já estou cansado desse mundo de aparências. E queria que algo ali fosse o que parece ser.
Por fim, eu pergunto:
— E aí, o que achou do meu blog?
— Nossa, Thiago. Nem parece que foi você quem escreveu.
Parece ironia.
Parece elogio...
Parece que não estou sozinho, mas só parece.
Ele é um bêbado profissional. Bebe muito mais rápido que eu. Não espera meu copo esvaziar, e já vai enchendo.
Parece generosidade. Parece cavalheirismo.
Mas é só para aproveitar e encher o copo dele que está completamente vazio.
Parece garçom.
Ele me pergunta como anda minha vida. Pergunta com o que ando trabalhando. Pergunta como é a garota com quem estou saindo.
Parece curiosidade.
Mas sei que ele não está prestando atenção nas respostas. Só está esperando sua vez de falar. Sei porquê, enquanto digo que estou desempregado. Ele finge escutar. Enquanto digo que me decepcionei com a garota, com quem estava saindo. Ele toma mais um enorme gole de cerveja. Enquanto digo sobre as decepções da vida. Ele despreocupadamente, acende um cigarro. Ele finge.
Parece atencioso.
Mas nada ali é o que parece. Já estou cansado desse mundo de aparências. E queria que algo ali fosse o que parece ser.
Por fim, eu pergunto:
— E aí, o que achou do meu blog?
— Nossa, Thiago. Nem parece que foi você quem escreveu.
Parece ironia.
Parece elogio...
domingo, 20 de maio de 2012
Achei o que não procurava
Um belo dia você cansa de ficar o tempo todo em casa. O tempo está nublado. Achei frio. Decide ir naquela sua livraria preferida, e tomar um café quente para se aquecer. Achei apropriado. Folheia várias páginas do livro que chamou sua atenção. Era um livro que parecia ter várias reviravoltas na história. Achei legal. Num virar de página ver, entrando, uma moça. Achei linda. E se senta perto de você. Você focaliza o livro tentando não encarar a moça. Achei uma péssima atuação. A moça parece perceber seu nervosismo, e sorri. Não achei graça. Ela diz que adora o livro que você está lendo. Ela diz que adora o frio. Ela diz que o café estaria fazendo uma combinação perfeita, se já não estivesse frio também. Ela parece combinar mais do que o café combinaria. Então você combina de vê-la outra vez. Achei o amor.
~~~
Um dia nem tão belo assim, você cansa de não conseguir mais parar em casa. Está um sol muito forte. Achei que ia derreter. Decide ir pro seu quarto, tomar uma limonada para refrescar. Achei apropriado. Folheia várias páginas do jornal que pede sua atenção. Era um jornal com as mesmas histórias, com sangue e roubo, sem reviravoltas. Achei chato. Num virar de página, sua namorada entra no quarto. Continua linda. E deita entre você e o jornal. Você focaliza os olhos dela, procurando os tempos de antigamente. Achei saudade. Ela parece perceber, e faz uma cara de quem também sente falta. Achei uma boa atuação. Ela diz que quer ir na livraria. Ela diz que lá tem ar-condicionado. Ela diz que não liga pra temperatura, se tiver o café, o livro e eu ali do lado. Mas nada do que ela falava, era o que ela fazia. Achei que isso não combinava comigo. Combinamos de terminar, porque não era amor. E eu achei que fosse.
~~~
sábado, 19 de maio de 2012
Esperando não sei o quê
Fazer poesia não é tão fácil quanto se pensa
E é o que estou tentando fazer no momento
Achar a rima é a grande recompensa
Mas que também expresse meu sentimento
E dizer o que sente, não é fácil não
porque se sabem o que você sente
podem prever sua reação
Não se pode fazer poesia sem inspiração
É mais fácil quando se está amando
Mas meu amor me deixou na mão
E não é por isso que vou ficar chorando
Nem sei por que estou falando desse amor
Não merece estar nessa poesia
Nem sei se o que eu disse rimou
Mas achei preciso dizer o que eu sentia
Eu sabia que você não sentia nada
Porém não pude ver
Meu amor é cego
Sua reação não pude prever
Foda-se a rima
Foque minha revolta,
meu coração quebrado
Já nem sei se temos volta,
talvez você volte
Tô esperando, sou idiota
Continuo apaixonado
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Imortal
É fim de semana e lá estou eu, brincando com meu irmão mais novo de... Bom, eu nem lembro de que, não que a brincadeira fosse chata. É que não tenho a memória tão boa assim, e o que mais me recordo desse dia, era da música que estava tocando. Era música de uma banda antiga, a música era tão antiga que o vocalista já estava morto.
Antiga não. Era um clássico, dizia minha mãe. Eu ficava imaginando o vocalista coberto de terra, dentro de um caixão, sem respirar, sem poder dançar sua própria melodia. Acho que é assim que funciona. Você não conta uma piada para rir, você conta para que outros riem por você, ou de você. E você acaba rindo da reação do outro. E aqui estava eu, dançando aquela música, já que o compositor estava muito ocupado, descansando em paz.
Minha mãe falava para não fazer esse tipo de piada com gente morta. Mas ironicamente, foi naquela voz que encontrei a imortalidade. Aquele cara, cantou nas festas que minha mãe frequentava, quando mais jovem. E estava cantando para gente. Passando de geração a geração.
Isso é a vida depois da morte. Isso é viagem no tempo. Pelo menos eu me sentia vivo ali dançando, todo desengonçado e despreocupado com isso. Quando era criança o ridículo não me preocupava se me fazia rir. Hoje, já acho que não tenho idade para isto. E sei que esse lance de não ter mais idade, é mais ridículo ainda. Ontem eu era melhor. O hoje me preocupa. Será que no amanhã, alguém vai ler alguma coisa do que escrevo?
Clarice Lispector, Charles Bukowski, Chuck Palahniuk... Imortais. Será que um dia consigo a imortalidade, mesmo depois de morto?
Escravos
Que antigamente, os escravos eram legalmente definidos como mercadoria, você já sabe.
Que eram escravizados povos de nações que perderam guerras, ou por questões raciais, você já sabe.
Que os donos de escravos não queriam libertá-los, porque o trabalho de um escravo, era mais produtivo que o de dez pessoas livres para fazer o mesmo tipo de trabalho, talvez você não saiba. Ou sabe. É Ensino Fundamental.
Mas isso não valia nada, e até hoje não vale muita coisa. O que você faz, não é equivalente ao valor do que você possui. Como se as coisas que você tem, não fosse se desintegrar. Como se o quadro da Monalisa, o mais valioso de todos, não fosse virar farelo um dia, num desses museus elegantes da Europa.
Eu não acredito em princesas. Me lembra contos de fadas e se você já deixou de ser criança sabe do que estou falando. Muito menos em Princesa Isabel e em Lei Áurea. Porque se pararmos pra pensar um pouco sobre isso, veremos que a escravidão não acabou. É Ensino sem Fundamento.
Se antes os escravos trabalhavam para ter o que comer e onde morar, conheço muita gente escravizada até hoje. Ganhando um salário que só dá para pagar aluguel, pagando por uma casa que nunca vai ser sua, e para fazer as compras do mês. O que os colocam na mesma posição as condições escravas de tempos atrás.
Conheço escravos de todas as cores. Que são mercadorias. São as camisas Calvin Klein, as Lacostes, são seus carros, são o que possui. São produtos. Enquanto a maioria é o produto falsificado, a maioria não é ninguém.
Que eram escravizados povos de nações que perderam guerras, ou por questões raciais, você já sabe.
Que os donos de escravos não queriam libertá-los, porque o trabalho de um escravo, era mais produtivo que o de dez pessoas livres para fazer o mesmo tipo de trabalho, talvez você não saiba. Ou sabe. É Ensino Fundamental.
Mas isso não valia nada, e até hoje não vale muita coisa. O que você faz, não é equivalente ao valor do que você possui. Como se as coisas que você tem, não fosse se desintegrar. Como se o quadro da Monalisa, o mais valioso de todos, não fosse virar farelo um dia, num desses museus elegantes da Europa.
Eu não acredito em princesas. Me lembra contos de fadas e se você já deixou de ser criança sabe do que estou falando. Muito menos em Princesa Isabel e em Lei Áurea. Porque se pararmos pra pensar um pouco sobre isso, veremos que a escravidão não acabou. É Ensino sem Fundamento.
Se antes os escravos trabalhavam para ter o que comer e onde morar, conheço muita gente escravizada até hoje. Ganhando um salário que só dá para pagar aluguel, pagando por uma casa que nunca vai ser sua, e para fazer as compras do mês. O que os colocam na mesma posição as condições escravas de tempos atrás.
Conheço escravos de todas as cores. Que são mercadorias. São as camisas Calvin Klein, as Lacostes, são seus carros, são o que possui. São produtos. Enquanto a maioria é o produto falsificado, a maioria não é ninguém.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Matando o tédio com nostalgia, e morrendo com desilusão
Era uma vez, que virou várias vezes, que transformou-se no meu cotidiano tedioso. Todo dia, era um faz de conta diferente. 'Faz de conta, que aquilo não aconteceu. Faz de conta que foi assim, que fica menos doloroso'. Os dias podiam ser iguais, mas eu sempre tratava de inventar uma história, uma prosa.
Como esta que você está lendo.
Fazendo de conta, que se importa.
Primeiro, você descobre que não é o coelhinho quem te traz os ovos. Percebe que Papai Noel é gordo demais para descer numa chaminé, e te trazer brinquedos novos. Descobre que seu herói favorito, não tem o poder de resolver seus problemas, muito menos te salva. Vê que o mundo nem é assim tão bonito. E os desenhos que antes eram animados, perdem a graça. Caso você deixe de achar o videogame legal, é porque literalmente perdeu o controle. E isso é um mau sinal.
Descobre que o café é amargo
E assim como o café
A vida também é
E assim como a vida
Ele precisa ser adoçado.
Você começa a se sentir diabético no lar-doce-lar. Pensa em fugir, cansa dali e planeja viajar. Pensa em conhecer gente nova, gente de verdade. Porque descobrir que aquela atriz linda que você ama, nem sabe que você existe...
Não é nenhuma novidade.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Crônica atrasada
Hoje acordei tarde, como ontem. E anteontem. Meus dias têm sido assim. Ando trocando dias por noites e pés por mãos. Ando vestindo camisas ao avesso, esquecendo nomes, tarefas e reuniões no meu emprego. Minha esposa está com raiva de mim. Disse que se eu esquecer do nosso aniversário de casamento, estaria tudo acabado entre a gente... Meu chefe está com raiva de mim. Disse que se eu faltasse para a reunião, da qual eu já estava atrasado, ele me mandaria para o olho da rua. E eu estava com raiva de mim, e cansado dessa bagunça toda. Nem tomei café direito, nem passei a camisa, nem se quer lembrava se tinha fechado direito a porta de casa. Saí correndo pelas escadas do condomínio onde moro. Só pensava em chegar o mais rápido possível no escritório do meu chefe. Resolvi pegar um táxi para chegar no trabalho mais depressa. No meio do cominho lembrei que havia esquecido os relatórios da reunião em cima da mesa da cozinha. Paguei a corrida, saí do táxi e pensei “Como sou idiota, por que não usei esse mesmo táxi pra voltar pra casa?” Mas é que minha mente trava e costuma dá um nó nessas horas de desespero. Só me dei conta que estava chovendo agora. Depois que tive que ficar aqui debaixo de chuva esperando um outro táxi para retornar. Dez minutos depois consigo um táxi e volto até a minha cozinha e recolho toda a papelada. Já não tinha dinheiro para um outro táxi. Tento ir de ônibus. Mas o motorista não para. O ônibus que vem logo em seguida também não para e passa direto. Provavelmente estava apostando corrida com o ônibus anterior. O terceiro ônibus quase escapa. Me joguei em frente, obrigando-o a parar. Graças a Deus ele parou. A chuva ocasionou um trânsito infernal. Desci algumas quadras antes do escritório e preferi ir correndo mesmo. cheguei bem antes do ônibus, só que ensopado e mesmo assim algumas horas atrasado. As portas do escritório estavam fechadas. "Olho da rua" "Tá demitido" esses pensamentos vieram até mim. Mas é claro que estavam fechadas, lembrei! Hoje é sábado, e a reunião é só na segunda daqui a dois dias. Ufa. Senti um alivio enorme e uma felicidade tomou conta de mim por alguns instantes. Até que lembrei tarde demais, que era nesse sábado meu aniversário de casamento.
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