Imagine, que ao começar a ler estas palavras, você esteja entrando em uma máquina do tempo. Imagine que sua única bagagem é o que você aprendeu com o passar do tempo. Imagine o tempo voltando. Não é tão difícil imaginar. As palavras têm poderes. Tem esse poder de te fazer viajar. Clichê, mas vai me dizer que você nunca sentiu isso?
Confesso que hoje em dia o "eu te amo" não tem força alguma. E que o "eu não te amo mais" é de fazer o coração explodir. Vai dizer que você nunca sentiu isso?
Tem gente que não sabe brincar com as palavras. E sabemos que elas podem machucar. Consegue sentir isso? Alguém já ralou seu coração?
Imagine-se entrando na máquina, voltando aos tempos de criança. Agora, imagine que isso é possível. Imagine os grandes cientistas contrariados. Dá até pra fechar os olhos e ver perfeitamente. Mas não faça isso, senão fica complicado continuar lendo. Continue imaginando.
Ah que saudade das cabanas de acampamento, que na verdade eram só lençóis. Que saudade das Guerras nas Estrelas, da terceira, quarta e da milésima Guerra Mundial, que na verdade era só soldadinhos de plástico pela casa. Saudade das armas, que na verdade eram pedaços de cano, com uma bexiga amarrada na ponta. Feijões eram munições. Saudade do Sonic, do Mário, e de tantos outros. Das obras de artes, que na verdade eram rabiscos mal feitos. Saudade.
Você consegue sentir isso?
Saudade do Nescau quente, e do meu filme preferido acompanhando numa tarde qualquer. Saudade das velhas coisas. Saudade de descobrir coisas novas, do frio na barriga, do "tenho que ser o mais rápido pra ganhar", que na verdade era só minha mãe correndo atrás de mim, pra me bater. E como minhas costas e bunda ardiam.
Você já sentiu isso?
Saudade dos amigos imaginários. Dos brinquedos que ganhava, da falta de brinquedo, que me fazia improvisar qualquer coisa que não era pra se brincar. Mas que eu transformava em brinquedo, porque minha brincadeira não podia acabar. Saudade da pobre infância, que me fazia ser rico em imaginação.
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